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Brasileiros made in China.
Por Mauricio Seriacopi

17 de Fevereiro de 2013

Optar por fazer uma refeição em uma rede de fast food não precisa, necessariamente, ser em decorrência da escassez de tempo devido à frenética e alucinante rotina dos grandes centros. Pode ser, ao menos poderia, para saborear um sanduíche diferente com batatas fritas sequinhas ou anéis de cebolas quentinhos. Contudo, a decepção tem sido completa, do atendimento à qualidade dos produtos.
Optar por fazer uma refeição em uma rede de fast food não precisa, necessariamente, ser em decorrência da escassez de tempo devido à frenética e alucinante rotina dos grandes centros. Pode ser, ao menos poderia, para saborear um sanduíche diferente com batatas fritas sequinhas ou anéis de cebolas quentinhos. Contudo, a decepção tem sido completa, do atendimento à qualidade dos produtos. Por acumuladas insatisfações, não vou mais a uma certa rede de fast food muito, ou a mais, famosa. Troquei por uma concorrente que, em princípio, parecia demonstrar interesse no cliente oferecendo um atrativo desconto para quem participe de uma pesquisa em seu site. Fato curioso é que poucas pessoas sabem dessa condição que está apenas no verso do cupom fiscal do pedido, pois ninguém avisa sobre.

O mais desestimulante é que, mesmo sendo honesto e sincero nas respostas, nenhuma mudança é percebida. Funcionários gritões e despreparados, uniformes em péssimo estado (quando não sujos), falta de higiene, desatenção nos pedidos especiais, péssimas condições de manutenção predial, banheiros sujos e uma demora absurda que sugestiona uma mudança do segmento para slow food.

Essa situação não é um “privilégio” apenas desse segmento, há infinitos outros serviços, e produtos, que se enquadram nesse desrespeito a nós consumidores. No entanto, vivemos reclamando, e consumindo, tais produtos e serviços, como se não houvesse escolha.

Lembro-me há alguns anos que quando um produto era muito barato e de qualidade, no mínimo suspeita, recebia o apelido de “paraguaio”. O tempo passou e agora são denominados “chig-ling”, uma alusão aos produtos made in China reconhecidos pelo baixo preço, baixa qualidade e exploração da mão de obra em suas linhas de produção.

Deparo com muitos empresários brasileiros queixando-se dessa concorrência desleal e de tantos outros adversários. Mas será que estamos fazendo direito nossa lição de casa? Nivelarmos por baixo é a saída para nos tornarmos competitivos?

De certo que não. E, já que nossos governantes não se dispõem a medidas que favoreçam a competitividade com qualidade e preço justo, é preciso repensar nossos meios produtivos e a forma como estamos inserindo os jovens no mercado de trabalho. Precisamos qualificar nossos colaboradores, não apenas nos quesitos técnicos, mas culturais e educacionais para que tenhamos redução na perda de matérias-primas e insumos, melhora na produtividade e consequente aumento da rentabilidade.

Afinal, de nada adianta contratar pessoas desqualificadas, ou não qualificá-las, para pagar salários baixos. Isso é o mesmo que investir numa boa e linda embalagem, mas com conteúdo enganoso.

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