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Diga não ao derrotismo
Por Benedicto Ismael C. Dutra

22 de Junho de 2013

São tantas as imagens e situações derrotistas espalhadas pelo mundo, que qualquer pessoa poderá perder a coragem e a vontade de enfrentar os desafios da vida.
São tantas as imagens e situações derrotistas espalhadas pelo mundo, que qualquer pessoa poderá perder a coragem e a vontade de enfrentar os desafios da vida. São raros os exemplos de pessoas que, corajosamente, agem como seres humanos que lutam pelo que é justo e verdadeiro.

O sentimento de derrotismo gera pessimismo e falta de confiança de que a mudança para melhor é sempre possível, deixando as pessoas chafurdarem no desânimo. De tanto receber mensagens derrotistas, muitas pessoas acabam só pensando nisso e se ligando a pensamentos de fracasso, esperando apenas pelo insucesso em sua vida.

"O mercado prefere os consumidores apressados, propensos a gastar, a membros de famílias que tendem a poupar para o futuro", destacou Lee Siegel, em seu artigo publicado no jornal O Estado de São Paulo em junho deste ano. Consumidores apressados são principalmente os desesperançados de conseguir tudo o que a propaganda insinua e, seguindo o lema "vamos nos permitir", se lançam no consumismo imediato daquilo que está ao alcance do seu cartão de crédito.

Atualmente, o mundo se acha invadido por formas derrotistas. No Brasil, isso tem ocorrido há mais tempo, promovendo uma desesperança generalizada na população. É importante estabelecer objetivos ousados na educação e na saúde. Sem um propósito de melhorar de forma contínua a qualidade humana, dificilmente sairemos da condição de país do carnaval, de pouca credibilidade.

O derrotismo de nossos dias tem a ver com a forma hostil que a vida se estruturou. As rotinas são rígidas. Os regulamentos são insensíveis. As dificuldades humanas para obter alimentação, moradia, saúde, educação, são muitas e desgastantes. Tudo passou a depender do dinheiro. O grande problema é quando o derrotismo acaba se infiltrando de forma inconsciente, passando a dominar o indivíduo. A força de vontade se enfraquece e ele não sabe mais o que quer fazer na vida.

A tristeza também tem implicação no derrotismo. Quando não se tem objetivos, tudo fica aborrecido. E quanto maior for o aborrecimento, menos iniciativa essa pessoa demonstra e acaba se derrotando por si própria, sem sonhos, sem metas. A desestruturação familiar e as dificuldades financeiras muito contribuem para piorar esse quadro. Mas não podemos descartar o efeito da mídia sobre o humor. O derrotismo se fortalece com imagens de fracasso.

O tão badalado filme Gatsby, que entrou em cartaz recentemente nos cinemas, retrata o grande fracasso de um homem que não buscou o sentido da vida como prioridade, nem se preocupou com isso. Apostou todas as fichas na paixão por Dayse, filha de família rica e que se casou com outro homem de posses. As coisas foram acontecendo de forma rápida, e tudo começou a desmoronar. O amigo Nick, que o acompanhava de perto, sabia de tudo, mas se calou; não avisou Gatsby que uma trama sinistra estava sendo armada. Este filme, como tantos outros, não passa de puro derrotismo numa época em que as estatísticas indicam que houve um significativo aumento de suicídios nos Estados Unidos e na Europa.


Nada resolve ficar procurando por culpados. Cada um tem de definir o que quer para si e ir em frente, com coragem e confiança, sem contudo causar danos a outrem para satisfazer as suas cobiças. Num mundo onde as pessoas estão se perdendo pela falta de propósitos, estamos necessitando de uma profunda mudança. Precisamos de um novo modo de vida menos desgastante, com mais alegria, que não destrua o meio ambiente e que propicie a evolução real. Além de obter a melhora das condições materiais, as novas gerações devem querer ardentemente se tornar seres humanos de valor que buscam a evolução integral, pondo entusiasmo no que fazem para eliminar o desânimo mortífero. * Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, e associado ao Rotary Club São Paulo. Realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. É também coordenador dos sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br, e autor dos livros “ Conversando com o homem sábio”, “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”, “O segredo de Darwin”, e “2012...e depois?”. E-mail: bicdutra@library.com.br

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