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Lá vem o Negão - De Novo
Por Luciano Pires

20 de Novembro de 2012

Cinco anos atrás publiquei o artigo que repito hoje. Entre outros adjetivos, fui chamado de racista. Provavelmente desta vez serei ainda mais esculachado, mas é importante rever à luz dos últimos acontecimentos a expectativa criada 5 anos atrás. Desta vez não houve brochada... Lembre-se: o que você vai ler agora foi escrito em 2007.
Cinco anos atrás publiquei o artigo que repito hoje. Entre outros adjetivos, fui chamado de racista. Provavelmente desta vez serei ainda mais esculachado, mas é importante rever à luz dos últimos acontecimentos a expectativa criada 5 anos atrás. Desta vez não houve brochada... Lembre-se: o que você vai ler agora foi escrito em 2007.



Cinco anos atrás publiquei o artigo que repito hoje. Entre outros adjetivos, fui chamado de racista.  Provavelmente desta vez serei ainda mais esculachado, mas é importante rever à luz dos últimos acontecimentos a expectativa criada 5 anos atrás. Desta vez não houve brochada... Lembre-se: o que você vai ler agora foi escrito em 2007.

- Lá vem o negão... Cheio de paixão... Te catá, te catá, te catá... Foi em 1994 que o Cravo e Canela – um daqueles grupos musicais que surgem com um sucesso para desaparecer em seguida – lançou a música “Lá vem o negão”.

Pretendo mandar a música de presente pro Zé Dirceu e seus companheiros. Eles saberão que por “negão” me refiro a Joaquim Benedito Barbosa Gomes, primeiro negro nomeado ministro do Supremo Tribunal Federal. O ministro Joaquim Barbosa, como relator do processo do “mensalão”, desempenhou papel fundamental na transformação daqueles 40 “suspeitos” em réus, que responderão por formação de quadrilha, peculato, evasão de divisas, lavagem de dinheiro, etc, etc, etc...

Tem gente que vai achar ruim – talvez até me chamem de racista – eu chamar o Ministro de “negão”. Não percam tempo. Não existe outro termo. Ele é negão, sim senhor, um rótulo politicamente incorreto, mas impossível de ser substituído. Afro-brasileiro não carrega o afeto que o termo “negão” expressa. Tem que ser “negão” mesmo...

Ligar a televisão e ver sua figura, o único negro num grupo de brancos – a maioria com expressão de supremo enfado –, lutando para que a justiça prevaleça, tem sido um sopro de esperança para quem achava que o Brasil não tem mais jeito.

O Brasil tem jeito, sim. Quem não tem são alguns “brasileiros” que continuam achando que estão acima do bem e do mal.

O ministro Joaquim Barbosa – negro de origem humilde – talvez ainda não tenha percebido o que representa para a sociedade brasileira. Precisamos desesperadamente de referências políticas e culturais nas quais possamos confiar. De suas mãos podem sair decisões que vão ajudar a colocar o Brasil nos trilhos. E num momento em que a mídia só dá espaço para oportunistas, bandidos, aproveitadores e medíocres, o negão Joaquim surge para nos redimir. Para baixar a crista dos que acham que podem tripudiar sobre a Justiça e a Moral.

Pois o negão que se cuide. Junto do Procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, está sob os holofotes. Será acusado de “jogar para a platéia”, de ególatra, de golpista e todos aqueles adjetivos que a turma dos quarenta usa quando se sente ameaçada. Torço sinceramente para que não apareça um daqueles “dossiês” capazes de manchar seu passado.

Pois saiba, senhor Ministro, que tenho a impressão de que o Brasil está a seu lado. O Brasil branco, o Brasil negro, o Brasil rico, o Brasil pobre, o Brasil honesto. O Brasil que o senhor representa. Continue sendo o negão, cheio de paixão, defendendo a dignidade e transformando quadrilheiros em réus. Precisamos de exemplos. Precisamos de referências. Sejam elas brancas, amarelas, vermelhas ou negras.

Cata eles, Ministro. A trilha sonora a gente já tem.



Luciano Pires, setembro de 2007

Correção necessária: ele não é o primeiro negro Ministro do STF, e sim terceiro. Mas é o primeiro negro a presidir o STF.

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